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26 fevereiro 2007 

Bruce Springsteen - The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle


Quando colocamos The Wild, The Innocent & The E Street Suffle na aparelhagem, somos imediatamente contagiados pelo animado ritmo que exala das trompas e tubas. A guitarra de Bruce Springsteen complementa a introdução e está dado o mote para o álbum. O nativo de New Jersey fala-nos da sua juventude em Asbury Park e da E Street, que dá nome à banda que o acompanha nesta aventura, para além de Lover's Lane, que mais tarde será referida no álbum. O desempenho instrumental está em grande nível nesta canção, com todos os membros da E Street Band e o próprio Springsteen a darem o melhor de si em 4 minutos e meio de animação.

"4th Of July, Asbury Park (Sandy)" contrasta com a primeira faixa, "The E Street Shuffle", por ser mais calma e retratar uma aventura do então jovem Springsteen com uma rapariga qualquer de Asbury Park, que, tal como ele afirma, talvez nunca mais voltasse a ver depois daquela noite. A melodia é fantástica, permitindo-nos imaginar a cena na perfeição, sobretudo quando Springsteen praticamente só sussurra aos nossos ouvidos.

"Kitty's Back" recupera a atmosfera de "The E Street Shuffle". Esta música viria a permitir performances lendárias em concerto, sendo sempre palco de longas improvisações e solos de cada um dos membros da E Street Band, para além de grandes duelos de guitarra entre Springsteen e Steven Van Zandt. O saxofone de Clarence Clemons está um nível superior, acrescentando ainda mais valor a esta viagem de pouco mais de 7 minutos. Não esquecer a parte de parada e resposta entre Springsteen e o resto da banda, já perto do final.

Wild Billy é já um personagem recorrente desde o primeiro disco de Springsteen, Greetings From Asbury Park, N.J., e esta não é a sua última aparição nas letras do artista de Freehold. É, no entanto, aquela em que mais destaque tem, aproveitando Springsteen para falar de um dos temas que sempre o fascinou: a caravana do circo. "Wild Billy's Circus Story" é uma das músicas mais simples do álbum a nível instrumental, mas é também a que mais personagens descreve. A segunda estrofe é um belo exemplo do talento de Springsteen enquanto cantor folk, embora ele esteja em grande plano durante os 4 minutos e 47 segundos que a canção dura. Algumas expressões são bastante engraçadas, nomeadamente um verso da última estrofe: And now the elephants dance real funky.

Na edição original no velhinho vinil, teria aqui terminado o lado A e entraríamos no lado B, que é ligeiramente diferente. Todas as músicas são muito extensas e brilhantes. O tom das canções é um pouco distinto, embora não seja fácil explicar de que modo isso acontece.

É tempo para aquela que é por ventura a obra-prima do álbum. "Incident On 57th Street" é um verdadeiro filme, demonstrando toda a mestria de Springsteen enquanto contador de histórias, seja através de palavras ou de música. A música começa com um tom calmo, em que o ritmo é dado pelo piano quer de Danny Federici, quer de David Sancious. Assim que o ritmo começa a acelerar, um solo de baixo de Garry Tallent fantasticamente posicionado acrescenta à construção do final. Pelo meio, imagens incríveis são-nos dadas pelas palavras de Springsteen e pela sua voz, especialmente em evidência no refrão final. A maneira como ele sussurra, parecendo Spanish Johnny a murmurar ao ouvido de Puerto Rican Jane, para depois aumentar progressivamente o volume até ao clímax, incandeado por um solo de guitarra de arrepiar. E no final, meio minuto do mais belo piano de que há registo, fazendo a ligação para "Rosalita".

Uma vez, durante uma actuação, Springsteen descreveu-a simplesmente deste modo: "the greatest love song I ever wrote". O norte-americano escreveu muitas, mas esta está bem perto do topo. A E Street Band está em rotação máxima, exibindo toda a sua categoria ao longo de mais de 7 minutos de excitação e animação. O solo de saxofone do tenor Clarence Clemons, embora mais pequeno e sem a liberdade de que dispunha em performances ao vivo, é muito bom. "Rosalita (Come Out Tonight)" é uma das canções favoritas do público de Springsteen, sendo as suas versões ao vivo lendárias. No entanto, de 1984 a 2003, só raramente "Rosie" foi ouvida em concerto, regressando na porção norte-americana da digressão para promover "The Rising", o primeiro álbum de Springsteen com a E Street Band em 18 anos.

Nova demonstração de categoria musical é dada na abertura da última faixa do disco, "New York City Serenade", com mais de um minuto de piano fenomenal, seguido de uma melodia cuja composição só está ao alcance dos iluminados. Este tema, de quase 10 minutos de extensão, é palco para nova aparição de Wild Billy, tal como Diamond Jackie. Os dois passeiam por Broadway, sendo que o narrador convida "Fish Lady" a ir com ele. Como ela não aceita, por ter medo de o perder, o sujeito pede ao "Jazz Man" que lhe toque uma serenata, sendo aí que Clarence Clemons entra para completar o quadro. Já perto do final, Springsteen e a banda formam um coro que nos transporta até aos sussurros terminais e aos últimos toques nas teclas agudas do piano, um fim perfeito para o disco.

The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle é um dos momentos mais geniais da carreira de Springsteen. Antes de ser o "Boss", antes de lançar "Hungry Heart" ou "Dancing In The Dark", que o levaram ao top 10 da Billboard, Bruce Springsteen compôs alguns dos melhores álbuns de todos os tempos. Este é apenas um exemplo.

10 em 10, uma verdadeira obra-prima.

Um post verdadeiramente magnífico diria eu. Estás de parabéns WWB.

Só não faço um post mais ,longo, pois ainda não ouvi o álbum, quando o ouvir farei outro comentário.
Mas não há duvida, de que me fizeste crescer água na boca. Muito bom mesmo.

Dás 10/10 ao álbum? Eu dou 21/20 ao post.

Agora que já me viciei à grande neste album, posso fazer um comentário decente.

É sem dúvida um grande album, com um início espectacular com a the e-street shuffle, e com um final absolutamente brutal, com a incident on 57th street, rosalita e new york serenate. gosto de todas as músicas do album, mas para mim estas 4 são os pontos altos do album.

Sem dúvida, um dos melhores albuns de sempre, e a par do Born to run, o melhor album que já ouvi do Boss (embora, muito honestamente, so tenha ouvido os três primeiros albuns, o Magic, e uma parte do essential.

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